Transistor bipolar: operação e regiões
Correntes, tensões, curvas características e modelos básicos do BJT antes da polarização.
O transistor bipolar de junção, ou BJT, possui três terminais: base, coletor e emissor. Em amplificadores, ele é polarizado na região ativa e pequenas variações em produzem variações de corrente no coletor.
Objetivos
- usar corretamente as convenções de corrente e tensão de um BJT NPN;
- identificar corte, região ativa e saturação;
- interpretar uma família de curvas ;
- distinguir o modelo de grande sinal do modelo de pequenos sinais;
- explicar por que o ponto de operação precisa ser calculado antes do ganho.
Terminais e correntes
Para um transistor NPN operando na região ativa, adotamos correntes entrando na base e no coletor e saindo pelo emissor. Pela lei dos nós,
Os ganhos de corrente são definidos por
Como varia bastante entre componentes e com a corrente, um bom circuito de polarização não deve depender fortemente de seu valor exato.
Controle por corrente ou por tensão?
É comum apresentar o BJT como uma fonte de corrente controlada por corrente, usando . Essa relação é útil em cálculos aproximados de polarização.
Fisicamente, na região ativa, a relação mais fundamental é exponencial:
Logo, o BJT também pode ser entendido como um dispositivo de transcondutância: uma variação de controla . Essa visão será a base do modelo híbrido-.
Regiões de operação do NPN
| Região | Junção BE | Junção BC | Comportamento aproximado |
|---|---|---|---|
| Corte | não diretamente polarizada | reversa ou sem polarização | |
| Ativa | direta | reversa | e amplificação |
| Saturação | direta | direta | chave fechada imperfeita, baixo |
Para confirmar região ativa, não basta calcular uma corrente positiva. É necessário verificar se o resultado é coerente com as tensões dos terminais, por exemplo para um NPN de silício em operação ativa usual.
Família de curvas de saída
Uma família de curvas mostra em função de para diferentes correntes de base. Na região ativa ideal, cada curva seria quase horizontal. Em um transistor real existe inclinação devido ao efeito Early.
Varie a corrente de base e identifique saturação, região ativa e efeito Early.
À esquerda, para pequeno, o transistor entra em saturação. No trecho quase horizontal, ele opera na região ativa. A extrapolação da inclinação das curvas está associada à tensão de Early .
Circuito externo e reta de carga
O transistor não escolhe sozinho seu ponto de operação. Fonte e resistores impõem uma segunda relação. Em um circuito simples com ligado a ,
quando o emissor está aterrado. Essa equação é uma reta no plano . A interseção entre reta de carga e curva do transistor é o ponto quiescente, ou ponto-Q.
Observe como fonte, resistência e polarização restringem simultaneamente corrente e tensão.
Para amplificar sem ceifamento imediato, o ponto-Q deve deixar margem para a tensão de coletor subir e descer. A posição adequada depende do circuito e da excursão desejada; não existe um único “ponto central” universal.
Modelos em níveis
Modelo de corte e saturação
Adequado para chaveamento: o BJT está desligado ou saturado. Não descreve bem a amplificação linear.
Modelo de queda constante
Em cálculos DC iniciais, adota-se frequentemente e . O resultado deve ser verificado quanto à região de operação.
Modelo exponencial
Relaciona e e explica a sensibilidade térmica. É necessário para entender a linearização.
Modelo incremental
Substitui o transistor polarizado por um circuito linear válido apenas ao redor do ponto-Q. Seus parâmetros dependem de . Portanto, análise de pequenos sinais sem análise DC anterior é incompleta.
Temperatura e dispersão
Para uma corrente aproximadamente constante, costuma diminuir cerca de . Além disso, , e outros parâmetros variam entre transistores. Resistores de emissor, divisores rígidos e fontes de corrente são usados para reduzir a sensibilidade do circuito.
Essa variação também explica por que o casamento térmico será importante no par diferencial do Experimento 01.
Verificação rápida
- Um cálculo forneceu enquanto o modelo adotado pressupunha região ativa. O que isso indica?
- Por que não deve ser tratado como constante precisa?
- Qual grandeza do ponto-Q determinará diretamente a transcondutância ?
Respostas
- O resultado contradiz a hipótese de região ativa; o transistor provavelmente está saturado ou o circuito foi analisado com sinais/conexões incorretos.
- Porque varia com componente, temperatura, corrente e tensão de operação.
- A corrente quiescente de coletor .
O próximo passo é transformar fonte e rede de base em um problema sistemático de polarização e determinar o ponto-Q.