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  • 6. Emissor comum, ganho e degeneração
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  • 8. Pequenos sinais e estágios MOSFET
  • 9. Amplificador diferencial BJT
  • 10. Amplificadores operacionais e realimentação
  • 11. Experimentos de Eletrônica Analógica
  • 12. Experimento 01 — Projeto de um amplificador diferencial BJT

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Amplificador diferencial BJT

Modos diferencial e comum, meios-circuitos, ganhos, CMRR e característica de grande sinal.

Amplificador diferencial BJT

Modos diferencial e comum, meios-circuitos, ganhos, CMRR e característica de grande sinal.

Um par diferencial usa dois transistores que compartilham uma corrente de emissor. Seu objetivo não é amplificar cada entrada isoladamente, mas responder à diferença entre elas e rejeitar a parcela que se move em conjunto.

Objetivos

  • decompor duas entradas em modo diferencial e modo comum;
  • explicar quando o nó de emissores se torna um terra virtual;
  • construir os meios-circuitos diferencial e comum;
  • distinguir saída single-ended de saída diferencial;
  • calcular AdA_dAd​, AcA_cAc​ e CMRR;
  • relacionar o modelo linear à curva de transferência não linear.

Pré-requisitos mínimos

Este capítulo pressupõe:

  • ponto-Q e operação ativa do BJT;
  • modelo híbrido-π\piπ ou parâmetros h;
  • ganho do emissor comum com e sem degeneração;
  • terra AC, superposição e decibéis.

Topologia básica

Dois BJTs casados recebem cargas iguais nos coletores e compartilham uma resistência ou fonte de corrente no emissor. Em equilíbrio, com entradas iguais, a corrente de cauda se divide aproximadamente ao meio.

Dois meios-circuitos do par diferencial para os modos diferencial e comum.

Meios-circuitos conceituais: o modo diferencial explora a simetria; o modo comum enxerga degeneração pela cauda.

O circuito idealmente simétrico permite separar o problema em dois modos independentes. Essa separação é uma aplicação de superposição e simetria, não um novo modelo do transistor.

Decomposição das entradas

Defina

vid=v1−v2,vic=v1+v22.v_{id}=v_1-v_2, \qquad v_{ic}=\frac{v_1+v_2}{2}.vid​=v1​−v2​,vic​=2v1​+v2​​.

As entradas originais podem ser reconstruídas por

v1=vic+vid2,v2=vic−vid2.v_1=v_{ic}+\frac{v_{id}}{2}, \qquad v_2=v_{ic}-\frac{v_{id}}{2}.v1​=vic​+2vid​​,v2​=vic​−2vid​​.

Assim, qualquer par (v1,v2)(v_1,v_2)(v1​,v2​) é a soma de:

  • uma excitação comum (vic,vic)(v_{ic},v_{ic})(vic​,vic​);
  • uma excitação diferencial (+vid/2,−vid/2)(+v_{id}/2,-v_{id}/2)(+vid​/2,−vid​/2).
Decomposição em modo comum e diferencial

Controle as duas entradas e observe componentes de modo, correntes e saídas do par.

Carregando simulacao...

Ponto quiescente simétrico

Com v1=v2v_1=v_2v1​=v2​ em DC e transistores casados,

IC1Q≈IC2Q≈IT2,I_{C1Q}\approx I_{C2Q}\approx\frac{I_T}{2},IC1Q​≈IC2Q​≈2IT​​,

onde ITI_TIT​ é a corrente total da cauda. Se a cauda é um resistor, sua corrente depende da tensão do nó comum; se é uma fonte ideal, a corrente total varia muito pouco.

Antes da análise incremental, deve-se verificar VCEQV_{CEQ}VCEQ​ de ambos os transistores e a margem de excursão em cada coletor.

Modo diferencial

Para uma excitação puramente diferencial,

v1=+vid2,v2=−vid2.v_1=+\frac{v_{id}}{2}, \qquad v_2=-\frac{v_{id}}{2}.v1​=+2vid​​,v2​=−2vid​​.

Por simetria, a corrente incremental de um emissor cresce na mesma quantidade que a do outro diminui. A soma incremental na cauda é zero. Portanto, a tensão incremental no nó comum de emissores é nula: ele atua como terra virtual.

Terra virtual não significa ligação física ao terra e não vale para qualquer excitação. Ele resulta da simetria sob modo diferencial.

Modelo de pequenos sinais do par BJT completo.

Modelo incremental completo antes da decomposição por simetria.

Cada metade se reduz a um emissor comum. Desprezando ror_oro​ e usando RC′=RC∥RLR_C'=R_C\parallel R_LRC′​=RC​∥RL​ quando houver carga, a saída no coletor 1 é

vo1=−gmRC′vid2.v_{o1}=-g_mR_C'\frac{v_{id}}{2}.vo1​=−gm​RC′​2vid​​.

Logo, o ganho diferencial single-ended é

Ad,se=vo1vid=−gmRC′2.\boxed{A_{d,se}=\frac{v_{o1}}{v_{id}} =-\frac{g_mR_C'}{2}}.Ad,se​=vid​vo1​​=−2gm​RC′​​​.

No outro coletor,

vo2=+gmRC′vid2.v_{o2}=+g_mR_C'\frac{v_{id}}{2}.vo2​=+gm​RC′​2vid​​.

Se a saída diferencial for definida como vod=vo1−vo2v_{od}=v_{o1}-v_{o2}vod​=vo1​−vo2​,

Ad,de=vodvid=−gmRC′.\boxed{A_{d,de}=\frac{v_{od}}{v_{id}}=-g_mR_C'.}Ad,de​=vid​vod​​=−gm​RC′​.​

É indispensável declarar qual saída e qual definição de ganho estão sendo usadas; isso evita erros de fator 2 e de sinal.

Modo comum

No modo comum,

v1=v2=vic.v_1=v_2=v_{ic}.v1​=v2​=vic​.

As correntes incrementais dos dois transistores variam em fase e somam-se na cauda. Ao dividir o circuito ao meio, cada transistor enxerga 2RE2R_E2RE​ no emissor, porque a corrente total no resistor comum é duas vezes a corrente de uma metade.

Meios-circuitos no modelo de pequenos sinais.

No modo diferencial, o emissor está no terra virtual; no comum, a resistência equivalente é duplicada.

No modelo de parâmetros h, o ganho single-ended exato da aproximação mostrada é

Ac=−hfeRC′hie+(1+hfe)2RE.A_c=-\frac{h_{fe}R_C'} {h_{ie}+(1+h_{fe})2R_E}.Ac​=−hie​+(1+hfe​)2RE​hfe​RC′​​.

Para hfe≫1h_{fe}\gg1hfe​≫1 e forte degeneração,

Ac≈−RC′2RE.\boxed{A_c\approx-\frac{R_C'}{2R_E}}.Ac​≈−2RE​RC′​​​.

Essa aproximação não deve ser extrapolada para RE→0R_E\to0RE​→0: sua condição de dominância deixaria de valer.

CMRR

A razão de rejeição de modo comum é

CMRR=∣AdAc∣.\mathrm{CMRR}=\left|\frac{A_d}{A_c}\right|.CMRR=​Ac​Ad​​​.

Em decibéis,

CMRRdB=20log⁡10(CMRR).\mathrm{CMRR}_{dB}=20\log_{10}(\mathrm{CMRR}).CMRRdB​=20log10​(CMRR).

Quanto menor ∣Ac∣|A_c|∣Ac​∣ em relação a ∣Ad∣|A_d|∣Ad​∣, melhor a rejeição de ruído e interferência presentes igualmente nas entradas.

Uma fonte de corrente de cauda com alta resistência incremental reduz AcA_cAc​ e melhora o CMRR sem exigir uma queda DC arbitrariamente grande em um resistor.

Grande sinal e curva de transferência

O modelo incremental descreve apenas a inclinação perto de vid=0v_{id}=0vid​=0. Para um par ideal com corrente de cauda ITI_TIT​, a divisão de corrente pode ser escrita como

IC1=IT2[1+tanh⁡(vid2VT)],I_{C1}=\frac{I_T}{2} \left[1+\tanh\left(\frac{v_{id}}{2V_T}\right)\right],IC1​=2IT​​[1+tanh(2VT​vid​​)], IC2=IT2[1−tanh⁡(vid2VT)].I_{C2}=\frac{I_T}{2} \left[1-\tanh\left(\frac{v_{id}}{2V_T}\right)\right].IC2​=2IT​​[1−tanh(2VT​vid​​)].

Para ∣vid∣≪2VT|v_{id}|\ll2V_T∣vid​∣≪2VT​, tanh⁡(x)≈x\tanh(x)\approx xtanh(x)≈x e recuperamos o ganho linear. Para amplitudes maiores, a corrente é progressivamente desviada para um lado e o ganho comprime.

Curva de transferência e comparação entre inclinações lineares.

A tangente na origem define o ganho de pequenos sinais; as assíntotas definem o limite de divisão da corrente.

Curva de transferência do par

Varie a entrada diferencial e compare a curva não linear com sua tangente de pequenos sinais.

Carregando simulacao...

“Faixa linear”, “início da compressão” e “excursão máxima” são critérios diferentes. A faixa linear depende da distorção tolerada; a excursão final pode ser limitada também por corte, saturação e tensões de alimentação.

Resistências de entrada e saída

Desprezando redes externas, a resistência diferencial vista entre as duas bases é aproximadamente

Rid≈2rπ.R_{id}\approx2r_\pi.Rid​≈2rπ​.

Na saída single-ended,

Ro≈RC∥ro.R_o\approx R_C\parallel r_o.Ro​≈RC​∥ro​.

Divisores de polarização e cargas reais devem ser incluídos nos paralelos.

Descasamento e offset

Se VBEV_{BE}VBE​, β\betaβ, resistores ou temperaturas diferem entre os ramos, as correntes não se dividem igualmente para vid=0v_{id}=0vid​=0. Surge uma tensão de offset na saída e o CMRR se deteriora.

Para BJTs, pequenas diferenças térmicas são importantes porque VBEV_{BE}VBE​ varia com temperatura. Pares próximos fisicamente ou termicamente acoplados tendem a se comportar melhor.

Mapa conceitual

Mapa conceitual do projeto de um amplificador diferencial.

A análise liga ponto-Q, modelos incrementais, modos de entrada, ganhos e validação.

Erros frequentes

  • aplicar vidv_{id}vid​ inteiro a cada base em vez de ±vid/2\pm v_{id}/2±vid​/2;
  • usar terra virtual no modo comum;
  • esquecer o fator 2 em 2RE2R_E2RE​;
  • misturar ganho single-ended e diferencial;
  • calcular CMRR com ganhos definidos para saídas diferentes;
  • tratar a aproximação linear como válida até o ceifamento;
  • ignorar descasamento e temperatura em uma montagem real.

Síntese

O modo diferencial transforma o par em dois emissores comuns com emissor em terra virtual. O modo comum transforma cada metade em um estágio fortemente degenerado. O contraste entre esses dois ganhos é o CMRR.

O Experimento 01 aplicará essa estrutura a um projeto com ∣Ad∣=50|A_d|=50∣Ad​∣=50, ICQ=5 mAI_{CQ}=5\,\text{mA}ICQ​=5mA e fontes de ±12 V\pm12\,\text{V}±12V.

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