Amplificador diferencial BJT
Modos diferencial e comum, meios-circuitos, ganhos, CMRR e característica de grande sinal.
Um par diferencial usa dois transistores que compartilham uma corrente de emissor. Seu objetivo não é amplificar cada entrada isoladamente, mas responder à diferença entre elas e rejeitar a parcela que se move em conjunto.
Objetivos
- decompor duas entradas em modo diferencial e modo comum;
- explicar quando o nó de emissores se torna um terra virtual;
- construir os meios-circuitos diferencial e comum;
- distinguir saída single-ended de saída diferencial;
- calcular , e CMRR;
- relacionar o modelo linear à curva de transferência não linear.
Pré-requisitos mínimos
Este capítulo pressupõe:
- ponto-Q e operação ativa do BJT;
- modelo híbrido- ou parâmetros h;
- ganho do emissor comum com e sem degeneração;
- terra AC, superposição e decibéis.
Topologia básica
Dois BJTs casados recebem cargas iguais nos coletores e compartilham uma resistência ou fonte de corrente no emissor. Em equilíbrio, com entradas iguais, a corrente de cauda se divide aproximadamente ao meio.

Meios-circuitos conceituais: o modo diferencial explora a simetria; o modo comum enxerga degeneração pela cauda.
O circuito idealmente simétrico permite separar o problema em dois modos independentes. Essa separação é uma aplicação de superposição e simetria, não um novo modelo do transistor.
Decomposição das entradas
Defina
As entradas originais podem ser reconstruídas por
Assim, qualquer par é a soma de:
- uma excitação comum ;
- uma excitação diferencial .
Controle as duas entradas e observe componentes de modo, correntes e saídas do par.
Ponto quiescente simétrico
Com em DC e transistores casados,
onde é a corrente total da cauda. Se a cauda é um resistor, sua corrente depende da tensão do nó comum; se é uma fonte ideal, a corrente total varia muito pouco.
Antes da análise incremental, deve-se verificar de ambos os transistores e a margem de excursão em cada coletor.
Modo diferencial
Para uma excitação puramente diferencial,
Por simetria, a corrente incremental de um emissor cresce na mesma quantidade que a do outro diminui. A soma incremental na cauda é zero. Portanto, a tensão incremental no nó comum de emissores é nula: ele atua como terra virtual.
Terra virtual não significa ligação física ao terra e não vale para qualquer excitação. Ele resulta da simetria sob modo diferencial.

Modelo incremental completo antes da decomposição por simetria.
Cada metade se reduz a um emissor comum. Desprezando e usando quando houver carga, a saída no coletor 1 é
Logo, o ganho diferencial single-ended é
No outro coletor,
Se a saída diferencial for definida como ,
É indispensável declarar qual saída e qual definição de ganho estão sendo usadas; isso evita erros de fator 2 e de sinal.
Modo comum
No modo comum,
As correntes incrementais dos dois transistores variam em fase e somam-se na cauda. Ao dividir o circuito ao meio, cada transistor enxerga no emissor, porque a corrente total no resistor comum é duas vezes a corrente de uma metade.

No modo diferencial, o emissor está no terra virtual; no comum, a resistência equivalente é duplicada.
No modelo de parâmetros h, o ganho single-ended exato da aproximação mostrada é
Para e forte degeneração,
Essa aproximação não deve ser extrapolada para : sua condição de dominância deixaria de valer.
CMRR
A razão de rejeição de modo comum é
Em decibéis,
Quanto menor em relação a , melhor a rejeição de ruído e interferência presentes igualmente nas entradas.
Uma fonte de corrente de cauda com alta resistência incremental reduz e melhora o CMRR sem exigir uma queda DC arbitrariamente grande em um resistor.
Grande sinal e curva de transferência
O modelo incremental descreve apenas a inclinação perto de . Para um par ideal com corrente de cauda , a divisão de corrente pode ser escrita como
Para , e recuperamos o ganho linear. Para amplitudes maiores, a corrente é progressivamente desviada para um lado e o ganho comprime.

A tangente na origem define o ganho de pequenos sinais; as assíntotas definem o limite de divisão da corrente.
Varie a entrada diferencial e compare a curva não linear com sua tangente de pequenos sinais.
“Faixa linear”, “início da compressão” e “excursão máxima” são critérios diferentes. A faixa linear depende da distorção tolerada; a excursão final pode ser limitada também por corte, saturação e tensões de alimentação.
Resistências de entrada e saída
Desprezando redes externas, a resistência diferencial vista entre as duas bases é aproximadamente
Na saída single-ended,
Divisores de polarização e cargas reais devem ser incluídos nos paralelos.
Descasamento e offset
Se , , resistores ou temperaturas diferem entre os ramos, as correntes não se dividem igualmente para . Surge uma tensão de offset na saída e o CMRR se deteriora.
Para BJTs, pequenas diferenças térmicas são importantes porque varia com temperatura. Pares próximos fisicamente ou termicamente acoplados tendem a se comportar melhor.
Mapa conceitual

A análise liga ponto-Q, modelos incrementais, modos de entrada, ganhos e validação.
Erros frequentes
- aplicar inteiro a cada base em vez de ;
- usar terra virtual no modo comum;
- esquecer o fator 2 em ;
- misturar ganho single-ended e diferencial;
- calcular CMRR com ganhos definidos para saídas diferentes;
- tratar a aproximação linear como válida até o ceifamento;
- ignorar descasamento e temperatura em uma montagem real.
Síntese
O modo diferencial transforma o par em dois emissores comuns com emissor em terra virtual. O modo comum transforma cada metade em um estágio fortemente degenerado. O contraste entre esses dois ganhos é o CMRR.
O Experimento 01 aplicará essa estrutura a um projeto com , e fontes de .