Experimento 01 — Projeto de um amplificador diferencial BJT
Dimensionamento, componentes E12, validação ngspice, casamento dos BC547 e roteiro de bancada.
Estado do experimento: projeto analítico e simulações concluídos. A montagem de bancada ainda não foi medida; por isso, resultados experimentais permanecem explicitamente pendentes.
Objetivos
Além de dimensionar e montar o circuito para atender às especificações de polarização e ganho, o objetivo central é analisar as diferenças entre as previsões do modelo analítico simplificado e a simulação computacional com o ngspice. Assim, podemos compreender a origem dessas divergências mesmo quando os dois modelos produzem o mesmo ponto de operação DC.
Circuito do projeto

Par diferencial com resistores de coletor, divisor em cada base, resistor de cauda comum e acoplamento capacitivo.
Cada coletor possui ligado a . Os emissores compartilham um único ligado a . Cada base recebe uma polarização DC por divisor e a entrada AC por . A saída single-ended é retirada do coletor de por .
Não há especificado na saída. Durante o projeto, consideramos .
A diferença decisiva em relação ao exemplo dos slides
O exemplo didático associado ao roteiro contém uma carga e permite arbitrar mais grandezas. Nesta tarefa:
- já é dado;
- já é dado;
- não há carga externa ;
- a simetria de excursão é uma restrição.
Consequentemente, , e são determinados pelas equações. O ganho de modo comum é uma consequência do circuito, não uma escolha independente.
Modelos e convenções
Para reproduzir o método da disciplina, adotamos inicialmente:
- transistores perfeitamente casados;
- ;
- correntes de emissor aproximadamente iguais às correntes de coletor;
- efeito Early desprezado na primeira aproximação;
- saída single-ended no coletor de ;
- convenção didática dos slides
Essa última relação equivale a um ajuste didático em relação à expressão ideal de transcondutância. Ela será mantida no projeto e comparada, depois, ao modelo físico do BC547B usado pelo ngspice.
Fluxo de projeto

A sequência evita escolher como livre uma grandeza que já é determinada pelas restrições.
1. Resistor de coletor
No meio-circuito diferencial,
Substituindo a convenção dos slides,
Portanto,
2. Tensão quiescente para excursão simétrica
Sem carga externa, a excursão superior aproximada até o corte é
A excursão inferior até a saturação é aproximadamente
quando é desprezado na primeira aproximação. Igualando as margens,
3. Resistor comum de emissor
O resistor de cauda conduz a soma das correntes dos dois transistores:
Na malha DC,
Com uma diferença total de alimentação de 24 V,
Varie ganho, corrente e alimentação; observe quais grandezas são determinadas e quando o projeto deixa de ser viável.
4. Divisores de polarização das bases
A tensão no nó de emissores é
Logo,
Seguindo o critério do material da disciplina,
O divisor está ligado entre e o terra:
Como é a queda em ,
5. Componentes comerciais E12
São permitidas associações de até dois resistores.
| Componente | Ideal | Implementação E12 | Valor resultante | Desvio |
|---|---|---|---|---|
| 0% | ||||
| +1,4% | ||||
| −0,5% | ||||
| +0,2% | ||||
| valor comercial direto | — |
6. Recálculo do ponto-Q
Para cada divisor comercial,
Usando apenas para o recálculo nominal,
Então,

Ponto de operação com os componentes E12 adotados.
O termo é de poucos ohms, enquanto . Por isso a corrente DC é pouco sensível ao grupo A, B ou C do BC547 neste circuito específico.
7. Ganhos, CMRR e impedância de saída
Com valores comerciais, o modelo didático fornece
O ganho comum aproximado é
Logo,
Desprezando o efeito Early na primeira aproximação,
8. Retas de carga e excursões

A reta estática inclui o caminho DC da cauda; a reta dinâmica no coletor não contém uma carga externa.
Com os valores recalculados,
A menor margem é aproximadamente de pico. Dividindo pelo ganho didático,
Esse valor é um critério de excursão de projeto, não uma garantia de operação perfeitamente linear até . A curva comprime antes do limite assintótico.
9. Validação ngspice
Foram executadas análises de ponto de operação, frequência, modo comum, modo diferencial, impedância de saída e transiente. A tabela compara grandezas com definições equivalentes.
| Grandeza | Ideal | Recalculado E12 | ngspice | Bancada |
|---|---|---|---|---|
| pendente | ||||
| pendente | ||||
| $ | A_c | $ | 0,357 | 0,352 |
| $ | A_d | $ | 50,0 | 49,3 |
| CMRR | 140 | 140 | 228 (47,2 dB) | pendente |
| pendente | ||||
| Excursão de saída | no critério de 90% | pendente |
Selecione uma grandeza para comparar os três níveis de modelo sem misturar suas hipóteses.
Resposta em frequência

Os capacitores de 47 µF determinam o comportamento de baixa frequência; o patamar em 1 kHz é usado nas comparações.
Compressão transiente

O aumento de entrada revela compressão progressiva antes do limite final de excursão.
10. Por que o ganho simulado é maior?
As correntes e tensões DC simuladas concordam com o recálculo em menos de 1%. Portanto, a diferença de ganho não vem de um ponto-Q incorreto.
O projeto usa a relação didática
enquanto o modelo SPICE deriva a transcondutância da física do dispositivo e inclui resistências internas, efeito Early e outros parâmetros. A expressão ideal sozinha tenderia a prever ganho ainda maior; parasitas do modelo o reduzem para aproximadamente 79,9 V/V.
É possível descrever a inclinação observada por um fator efetivo próximo de , mas esse número pertence a este modelo e ponto de operação. Não é uma constante universal do BC547.
11. Casamento dos BC547
O divisor rígido reduz a sensibilidade DC a , mas diferenças de e temperatura ainda desequilibram as correntes do par.
Pré-seleção
- Identifique os transistores e confirme a pinagem no datasheet.
- Meça de um lote sob condições semelhantes.
- Separe candidatos próximos; essa é apenas uma triagem.
Comparação de na corrente de operação
- Force aproximadamente em cada transistor, um por vez, usando o mesmo circuito e instrumento.
- Evite tocar no encapsulamento antes da leitura.
- Aguarde estabilização térmica pelo mesmo intervalo.
- Registre com resolução de milivolts.
- Escolha o par com menor .
Como ordem de grandeza, buscar é um objetivo útil para este laboratório. A precisão real depende do instrumento e do controle térmico.
Verificação no circuito
Com as duas entradas iguais e o circuito polarizado, meça . Troque fisicamente e se necessário para separar descasamento de transistores de diferença entre resistores ou conexões.
12. Procedimento de bancada
Antes de energizar
- confirme a pinagem exata dos BC547 usados;
- meça as associações de resistores e identifique seus valores reais;
- confira polaridade dos capacitores eletrolíticos;
- ajuste limites de corrente das fontes;
- confirme o terra comum entre e .
Ponto de operação
- Mantenha o gerador desconectado ou com amplitude zero.
- Meça , e de cada transistor em relação ao terra.
- Calcule .
- Estime usando o valor medido de .
- Confira .
- Não avance se algum transistor estiver em corte ou saturação.
Ganho diferencial
O ensaio preferencial usa entradas em oposição:
Comece em 1 kHz com poucos milivolts. Meça amplitudes usando a mesma convenção (pico, pico a pico ou RMS) e calcule
Se apenas uma entrada for excitada e a outra estiver em terra AC, então mas . A saída contém uma pequena contribuição de modo comum; registre essa limitação.
Ganho de modo comum
Ligue as duas entradas ao mesmo sinal:
Use amplitude maior que no ensaio diferencial, sem provocar ceifamento, porque é pequeno. Calcule .
CMRR
Use ganhos medidos na mesma frequência, carga e convenção:
Excursão
Aumente gradualmente e registre separadamente:
- início perceptível de compressão;
- critério quantitativo adotado, como queda de 10% no ganho;
- início de ceifamento;
- limites máximo e mínimo de .
Impedância de saída
Meça a amplitude em vazio e depois com carga conhecida , obtendo . Para comportamento linear,
Use sinal pequeno para não confundir carregamento com compressão.
13. Tabela para a bancada
| Grandeza | Recalculado | Medido | Incerteza/resolução | Erro relativo | Observações |
|---|---|---|---|---|---|
| — | — | — | — | ||
| — | — | — | — | ||
| — | — | — | — | ||
| — | — | — | — | ||
| $ | A_d | $ | 49,3 pelo modelo didático | — | — |
| $ | A_c | $ | 0,352 | — | — |
| CMRR | 42,9 dB | — | — | — | — |
| — | — | — | — | ||
| compressão/ceifamento | critério a declarar | — | — | — | registrar limites assimétricos |
14. Erros frequentes
- copiar do exemplo um arbitrado que não pertence a esta tarefa;
- esquecer que conduz a corrente dos dois transistores;
- usar o ganho SPICE para redimensionar um circuito que deve seguir o modelo didático do roteiro;
- medir “ganho diferencial” com uma entrada sem registrar a componente comum;
- tocar nos transistores durante o casamento e interpretar efeito térmico como descasamento;
- preencher a coluna experimental com valores simulados;
- chamar 100 mV de faixa perfeitamente linear sem definir distorção.
15. Recuperação ativa
- Por que não pode ser escolhido livremente neste projeto?
- De onde vem o fator na malha do resistor de cauda?
- Por que o ponto-Q simulado pode concordar enquanto diverge?
- O que muda se uma carga de for conectada à saída?
- Como separar descasamento de transistores de diferença entre e ?
Pistas e respostas
- Porque , , ausência de e excursão simétrica já determinam e ; decorre deles.
- O resistor comum conduz a soma das correntes de emissor dos dois ramos.
- DC e pequenos sinais usam aspectos diferentes do modelo. A convenção de dos slides é mais conservadora que a inclinação do modelo SPICE.
- A carga fica em paralelo com em AC, reduz ganho e margem dinâmica sem alterar a malha DC quando acoplada por capacitor.
- Meça resistores, troque e de posição e observe se o sinal do desequilíbrio acompanha o transistor ou permanece no ramo.
Mapa de revisão

O mapa reúne especificações, projeto, modos de operação, simulação e bancada.
Conclusões provisórias
O projeto analítico atende ao roteiro com , , divisores de e , e .
O ngspice confirma o ponto de operação, e , mas prevê ganho diferencial maior por usar um modelo incremental mais próximo da física do BC547B que a convenção conservadora dos slides.
A conclusão experimental permanece aberta até que a montagem seja medida. O artigo deve ser atualizado com dados reais, incertezas e observações da bancada, sem apagar a previsão registrada aqui.
Referências utilizadas
- SEDRA, A. S.; SMITH, K. C. Microeletrônica.
- BOYLESTAD, R. L.; NASHELSKY, L. Dispositivos Eletrônicos e Teoria de Circuitos.
- Material da disciplina Eletrônica III — UERJ, Tarefa 1 e amplificadores diferenciais.
- Modelo SPICE do BC547B e resultados locais do projeto, usados apenas para validação e produção das figuras.